Quando associamos eventos sem nenhuma conexão os resultados podem ser desastrosos, principalmente quando eles geram crenças disfuncionais prejudicando nossas emoções e comportamentos. Será que somos capazes de descobrir quanto de nossas atitudes e crenças são fundadas em experiências equivocadas e disfuncionais?
Ao investigar a origem de algumas de nossas crenças e reconhecer que elas prejudicam nossa forma de interpretar a realidade, estamos prontos para questionar a validade delas e modificá-las.
Não é um trabalho fácil e na maioria das vezes não pode ser feito sozinho. É difícil reconhecer que as coisas que acreditamos são em grande parte responsáveis pela maioria dos nossos problemas. O que dizer então de mudar crenças adquiridas desde muito cedo. Mas será que, mesmo sabendo que o sexo não está no cotovelo e que isso foi uma associação errada de eventos que fizemos, continuaremos pedindo perdão ao colocá-los sobre a mesa?
No meu tempo de criança, como se diz em baianês, era “de lei” ligar a televisão na TV Educadora às oito da noite e acompanhar as incríveis histórias de Kevin Arnold. Nunca encontrei pessoa que não tenha gostado dessa série, pelo contrário, os nostálgicos são muitos.
Estereótipos presentes na série:
Cenário: Típico subúrbio americano dividido em quadras com largas avenidas e casas padronizadas com jardins grandes. Pai: O veterano da guerra da Coréia é homem de poucas palavras, empregado de uma firma de movéis. Não tem tempo para nada e vive enrolado com as contas da casa, principalmente com os tributos do estado. Muito admirado por Kevin. Mãe: Dona-de-casa que vive para cuidar dos filhos e da casa. É bonita, amorosa, cozinha bem e nunca levanta a voz para o marido. Irmã mais velha: Usa roupas alternativas estilo New Age, é contra a guerra do Vietnã e carrega todos os ideais da juventude de 1968: seria uma espécie de hyppie-chique. É retratada como uma pessoa muito distante de Kevin. Irmão: É mostrado como um estúpido, burro, ignorante, cujo único objetivo na vida é bater e brigar com o nosso herói. Melhor amigo (Paul): Judeu, alérgico a tudo, usa óculos maior do que o rosto, desengonçado, tira as melhores notas da escola e nunca faz nada de errado: um autêntico Nerd. Winne Cooper: O primeiro amor de Kevin. É idealizada. Bonita, inteligente e incompreensível. É fisicamente maior que Kevin e de fato eles não terminam juntos.
Em psicologia social pesquisadores constataram que a maioria de nós exibe um viés personalista, ou seja, tipicamente nos classificamos como melhores do que a média da população. A estereotipização dos personagens pode derivar da narrativa tendenciosa do protagonista que categoriza seu meio social e as pessoas significativas na sua vida, mas não atribui a ele mesmo nenhum estereótipo. Esse processo de categorização dos outros é feito por nós a todo o momento e isso pode explicar porque simpatizamos tanto com Kevin. Como nos lembramos da nossa infância? Somos heróis em um meio físico e social estereotipado, mediano? Lembramos de nós como sendo acima da média tal qual indica a tendenciosidade personalista?